|
A ESCOLA DE ONTEM FACE AOS ADOLESCENTES DE HOJE: COMO PODERÁ SER AMANHÃ?
ANA PAULA RELVAS, PROF. CATEDRÁTICA, FACULDADE DE PSICOLOGIA E DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO, UNIVERSIDADE DE COIMBRA
RESUMO: O tema será abordado seguindo três linhas de reflexão básica:
Primeiro, e numa perspectiva sistémica, equaciona-se a relação indivíduo / escola, no pressuposto de necessidade de articulação do individual com o global, num movimento compreensivo que vá das "partes ao todo e do todo às partes" (Morin). Poderá ser uma das alternativas de resposta para questões que nos remetem para as dificuldades postas pelo encontro entre a massificação do ensino e a necessidade de individualização desse mesmo ensino... Neste movimento será, então relevante, considerar que a própria escola é "parte" integrante do "todo" que é a sociedade (mais ou menos lata) em que se insere. Assim sendo, num pensamento circular, nenhuma destas dimensões poderá ser esquecida ou menorizada.
Pensar o lugar do indivíduo no sistema, concretamente a necessidade de articular finalidades individuais e finalidades grupais (institucionais) (Ausloos), bem como finalidades grupais e finalidades sociais é, em síntese, o primeiro objecto de reflexão.
Em segundo lugar, e fazendo a ponte com a expressão de tais finalidades, aborda-se a temática da violência e/ou indisciplina na escola, sempre associada aos clássicos contra-pontos disciplina, autoridade, limites. O conflito de gerações, as necessidades desenvolvimentais do adolescente, o papel dos não-adolescentes nesse processo e a paradoxalidade muitas vezes reinante neste encontro / confronto, constituem-se base de compreensão do tema.
Em terceiro lugar, é inevitável abordar a função da escola junto dos adolescentes... Mas não só, pois a sua articulação com outros contextos educativos (por exemplo, a família) surge como imprescindível numa análise não-linear deste aspecto. Tal como o é a reflexão sobre o que é e a que se propõe o acto de educar...
Ensinar, aprender, aprender a aprender, socializar, autonomizar, conviver, viver, estar-com, estar, ser, são aspectos que por si colocam questões e, como tal, retêm a nossa atenção.
Finalmente é o momento de retornar à questão inicial para lançar um outro olhar sobre as pessoas que "moram" nos actores que con-vivem na comunidade escolar - dos alunos aos "outros".
Parece-nos legitimo pensar, depois da viagem efectuada pela escola, dentro e fora, que o como poderá ser amanhã? do nosso título nos conduz a pensar nos jovens que povoam a escola, mas também na sobrevivência da escola como instituição, com que sintomas ou patologias, com que potencialidades e competências. Tudo apontando, afinal, para a importância da transformação no sentido da co-evolução indivíduo / meio (s) (Bateson). |