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Aqueles sem qualificações reconhecidas ou com qualificações de nível inferior têm sido, de facto, duramente atingidos por estas novas tendências. E isto apesar do facto de, tanto na sua proporção face à totalidade da mão-de-obra como nos seus números absolutos, este grupo se ter reduzido de uma forma visível durante a década de 80, e na medida em que a população em geral também melhorou as suas qualificações. Ao mesmo tempo, contudo, esta tendência generalizada para a rejeição do trabalho "tipo-manual" parece igualmente estar a afectar aquele grupo de trabalhadores habitualmente considerado como "qualificado", isto é, aquele que possui qualificações e/ou aprendizagens numa "arte", mas não outras qualificações mais elevadas. E quem está a ser beneficiado? Apesar do considerável crescimento do número daqueles que nas últimas duas décadas atingiram qualificações educativas mais elevadas, aqueles que possuem dois, três ou mais anos de educação superior foram aqueles que mais viram melhorada a sua situação relativamente a todos os outros com menores qualificações. Em média, e em relação àquele dos menos qualificados, este grupo dos mais qualificados recebe bem melhores remunerações do que recebia há dez ou vinte anos atrás, bem como apresenta uma taxa de desemprego consideravelmente inferior. Estas tendências apontam para um crescente desajustamento entre as competências e os conhecimentos que os jovens trazem da escola e da sua formação vocacional para o mercado de trabalho e as competências e os saberes que, de uma análise das mudanças na área do emprego, têm sido identificados como mais importantes. Gostaria agora de ilustrar estas mudanças quanto às novas competências exigidas, de um modo mais concreto, e socorrendo-me para o efeito de recentes investigações levadas a cabo nomeadamente no Reino Unido e na Suécia, quer no meu próprio centro quer noutros locais do Reino Unido. Um exemplo da elevação do patamar mínimo das qualificações para emprego pode ser encontrado na Companhia das Águas inglesa onde passei recentemente um dia em discussão e observação das novas exigências de qualificações. A indústria da água em Inglaterra foi privatizada nos finais dos anos 80 e tende hoje a ver datada a sua história em termos de AP e DP antes da privatização e depois da privatização. Não podem subsistir dúvidas quanto ao facto de a privatização ter acelerado uma tendência que na era AP tinha vindo a ganhar alguma importância mas apenas se desenvolvia de um modo muito lento. Nessa era, nos anos 50 e 60, a indústria empregava uma população trabalhadora que, com excepção da envolvida na direcção, não possuía quaisquer qualificações escolares e era utilizada em tarefas essencialmente manuais. Nos anos 90, um número de factores combinou-se para alterar as qualificações exigidas para trabalhar nesta indústria. Estas alterações significaram que os trabalhadores sem capacidade para aprender e para melhorar as suas competências foram obrigados a abandonar a indústria e que aqueles a recrutar daí em diante tiveram de ultrapassar testes básicos de literacia e numeracia. O primeiro desses factores foi a obrigatoriedade de mais elevados padrões da qualidade da água determinada pela Comissão Europeia respectiva. O segundo foi um também mais avançado nível de controlo tecnológico, envolvendo o uso de microprocessadores para a monitorização e fornecimento de informação sobre qualquer um dos estádios do processo de tratamento da água. A introdução de tecnologia computadorizada foi, por seu lado, em parte o resultado das exigências europeias de níveis mais elevados de qualidade, mas também a consequência da nova regulamentação governamental no Reino Unido que acompanhou a privatização e exigiu monitorização mais cuidadosa e maior consistência na qualidade e no fornecimento da água. Desde a privatização, a mão-de-obra envolvida nesta companhia no fornecimento de água foi diminuída em metade, de 10 000 para 5000 trabalhadores, ao mesmo tempo que quer a qualidade quer a quantidade da água distribuída foram aumentadas. O próximo passo agora é a reabilitação de toda a mão-de-obra até um nível capaz de competência vocacional. A Companhia das Águas ilustra assim o primeiro dos meus pontos de vista sobre a exigência da elevação dos patamares mínimos de literacia e numeracia, bem como da disponibilidade e capacidade para receber novas formações. Muito do que se tem observado no que respeita às qualificações de um operador da indústria da água aplica-se igualmente à indústria em geral e reitera as observações efectuadas por nós próprios, por exemplo, na indústria do papel nos finais dos anos 80. A alteração mais fundamental verificada no que respeita às exigências de qualificações de emprego para a indústria da água é que, pelo que fui informada, as competências do operador no domínio da literacia são, hoje, condição necessária para a candidatura a esse mesmo emprego. Mais, essas competências não são apenas uma exigência da própria companhia mas igualmente parte das condições da sua licença de exploração. |