REFORMULAR O "CORE SKILLS" ESCOLAR PARA A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

Hilary Steedman

     Gostaria de começar por agradecer calorosamente aos organizadores desta conferência o terem-me convidado para estar aqui, e confessar como aguardo com ansiedade as reacções e os comentários dos distintos oradores e da assembleia ao que vos tenho para dizer hoje.

     O propósito desta comunicação é apresentar uma visão das mais recentes tendências ao nível das competências exigidas pelas sociedades europeias, e apoiar e ilustrar essa visão quer a partir da minha própria investigação quer da de outros investigadores. Procurarei retirar daí as devidas implicações para os profissionais de educação, e farei sugestões quanto aos modos como, por troca de experiências e por colaboração directa, se pode ser bem sucedido nos desafios que as novas tendências representam.

     Em primeiro lugar, tentarei enunciar muito brevemente o que sabemos acerca das mudanças bem rápidas que estão a acontecer no modo como as nossas sociedades e as nossas economias funcionam, e acerca igualmente das novas competências que estas mudanças exigem que todos os nossos jovens sejam capazes de desenvolver.

     Em segundo lugar, examinarei as propostas avançadas por governos e organizações internacionais, patronais ou de trabalhadores, quanto aos tipos de competências que quer os profissionais da educação e da formação profissional quer os políticos deveriam implementar nos nossos jovens.

     Em terceiro lugar, levantarei a questão das implicações destas mesmas propostas para os referidos educadores, formadores e políticos, aí como um meio de abrir o debate à assembleia aqui hoje reunida.

     Nos últimos vinte anos, na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos e em outros países europeus, acumularam-se evidências de que aqueles que trabalham na indústria básica ou em posições inferiores nas áreas de serviços têm sido mais atingidos pelas vicissitudes do mercado de trabalho do que em qualquer outro período do pós-guerra. Em países com mercados de trabalho relativamente pouco regulamentados, como a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, os salários dos trabalhadores não qualificados caíram proporcionalmente mais do que os de outros trabalhadores mais qualificados. Em países com uma maior regulamentação dos seus mercados de trabalho, igualmente as oportunidades de emprego dos grupos menos qualificados se deterioraram rápida e visivelmente, ao mesmo tempo que se verificou um alargamento do diferencial dos salários, ainda que neste caso não de um modo tão denunciado como no Reino Unido ou nos Estados Unidos.

     Hoje, mais evidências acumuladas apontam para a manutenção e mesmo para a intensificação destas tendências nos anos 90. Não há naturalmente espaço nesta breve comunicação para explorar as possíveis causas para esta mudança tão importante. Aliás, com o tipo de dados que possuímos sobre a economia como um todo, nem sequer é fácil retirar é explicações convincentes quanto aos porquês de esta mudança ter ocorrido.

     Contudo, há já suficientes evidências capazes de sustentar a visão partilhada pelo senso comum, e já largamente difundida, de que neste quadro assumem uma particular importância os seguintes factores: primeiro, o facto de uma mais eficiente exploração das tecnologias de informação e controlo, baseadas no "microchip", ter ajudado a reduzir a procura de mão-de-obra não qualificada; segundo, o facto de as pressões da competitividade nacional – quer nos diversos sectores do comércio quer em outros –, no sentido tanto da implementação da variedade e da qualidade de bens e serviços como da própria rapidez da execução, justificar muita da crescente procura de trabalhadores com níveis de formação mais elevados. Reconheça-se que nos sectores específicos do comércio, as pressões da competitividade aumentaram na razão do grande crescimento do próprio comércio mundial. São estas pressões que forçam as companhias a tornarem-se mais eficientes de modo a competirem internacionalmente e assim a assegurarem-se que recrutam as competências de que têm necessidade e de que as usam de um modo totalmente eficaz.

     No Reino Unido, e em termos de qualificações educativas, possuímos já dados consideráveis sobre os grupos que parecem estar a ser mal sucedidos e sobre os outros que parecem estar a ter sucesso.

 
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