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A quinta edição do curso de Verão vai decorrer no Porto, nos dias 8, 9 e 10 de Julho de 1999,e será subordinada a temática geral "As pessoas que moram nos alunos. Ser jovem, hoje, na escola portuguesa.". A escolha desta problemática carece de uma explicitação.

O tradicional modelo de educação escolar, inicialmente destinado a uma elite, foi sendo capaz de acolher, através dos tempos, sobretudo no pós-Guerra , todos os cidadãos nacionas. Os objectivos políticos de democratização social encontraram na educação escolar promovida pelos Estados nacionais o melhor meio para a sua concretização. As crianças e aos adolescentes de cada país, agora transformados em alunos, as administrações públicas ofereceram uma matriz uniforme de ensino  para todas elas, em escolas semelhantes e distribuídas por todo o território.

Este modelo escolar que alguns classificam como sendo de tipo industrial, foi capaz, em boa parte, de cumprir os objectivos previstos. No entanto, também tem revelado as suas fragilidades. As sociedades evoluiram muito e , sobretudo nas últimas décadas, as instituições escolares têm sido chamadas a desempenhar uma acção educacional muito vasta. As famílias , as igrejas e as instituições militares transformaram-se e perderam alguma da sua relevância quer em termos de integração social quer como instâncias de prestação de reais serviços de educação. Por outro lado, a televisão e os computadores ampliaram enormente o acesso á informação, alterando os lugares e os tempos, os recursos e os meios educacionais de que as pessoas hoje dispõem.

Algumas e importantes questões começaram a colocar-se ao modelo escolar das sociedades modernas, por vezes sem resposta adequada.
Como conciliar hoje o objectivo democrático de acolhimento de todos os cidadãos com o objectivo de educar e integrar socialmente cada um dos alunos? Como compatibilizar uma escola de massas com o desiderato de fomentar o desenvolvimento humano de cada um dos alunos? Como compaginar a igualdade de oportunidades, o ensino comum, geral e obrigatório para todos, com o respeito pelas diferenças? As escolas são mais capazes de se organizarem para ensinar e menos capazes de se organizarem para fazer aprender e sustentar o desenvolvimente de cada um? Os interesses e objectivos colectivos conflituam com o imperativo de respeitar e fazer desabrochar a humanidade de cada um, sendo certo que somos todos diferentes?

Estas são questões em aberto, face aos desafios de uma sociedade em profundas transformações. É certo, por um lado, que os alunos de hoje, desde crinças, são bem diferentes quando entram no ensino básico; por outro, também é verdade que a dignidade de cada ser humano está primeiro que qualquer imposição legal estatal e a educação escolar caberá, antes de mais, respeitá-la e criar condições para que as pessoas não fiquem escondidas, em cada sala de aula, por detrás dos alunos. Por isso, importa conhecer melhor quem são as crianças e os adolescentes que hoje chegam ás escolas, em que grupos sociais se inserem, que diferentes aspirações alimentam, que motivações transportam, que diferentes tipos de vida levam e que pensam do mundo e da vida.

Que mundo novo transportam hoje as crianças para dentro da escola e como é que a escola as recebe? Quem são e o que esperam os adolescentes e jovens da escola e do trabalho? Quais são os resultados das investigações mais recentes realizadas em Portugal sobre a juventude?

O curso de Verão de 1999 será, por isso, dedicado a olhar para as pessoas que os alunos são. Um olhar que requer, por isso, o contributo de quem estuda as crianças e os adolescentes para além do quadro institucional escolar, na abordagem interdisciplinar, que esperamos seja muito enriquecedora do nosso papel de co-educadores. Um olhar que tem também de atentar em todos quantos se dedicam, no quotidiano escolar, a construir práticas de ensino e de  aprendizagem capazes de acolher e fazer desabrochar autenticidade humana das pessoas que povoam cada um dos nosso alunos.

Além das conferências dos peritos convidados, teremos a ocasião de participar em alguns grupos de trabalho em que serão apresentadas e debatidas algumas experiências e práticas educacionais - sucessos, dificuldades, insucessos - de escolas e de professores atentos ao ensino, á aprendizagem e ao desenvolvimento humano de cada um dos alunos.

Esperamos que não perca esta nova oportunidade de reflexão e de debate. Contamos consigo em Julho, no termos do ano lectivo. Embora reconheçamos que a data não é a melhor, não soubemos encontrar outra mais adequada ao tipo de encontros que temos vindo a promover.
Esperamos que organize a sua agenda e o seu trabalho escolar de modo a estarmos juntos de novo, em 1999.

Ficamos a aguardar a sua vinda

A Comissão Organizadora
           Joaquim Azevedo
           Roberto Carneiro
           Teresa Ambrósio

Programa 1998
[Programa 1999]